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Toque de RecolherDia 15/05/2006, segunda-feira, São Paulo. A maior metrópole da América Latina é tomada de sobressalto por um bando de nomes conhecidos que gerenciam – de dentro de suas celas – um bando de rostos desconhecidos que apavoram e constrangem a sociedade civil com atos de vandalismo, violência e despudor. Que reino é este construído por infratores, bandidos e vigaristas? O transporte coletivo foi reduzido, as escolas fechadas, o comércio – de rua, shoppings e galerias – tiveram suas portas fechadas, as empresas dispensaram seus funcionários e encerraram suas operações na esperança de poderem reiniciar a semana no dia de amanhã e as famílias, durante a interminável aflição, esperavam que seus entes chegassem enquanto estes andavam pelas avenidas, brigavam por uma vaga ou espaço no ônibus ou no metrô, por vezes movidos pela percepção de que todos estavam angustiados, mas sem clareza do que de fato estava ocorrendo, e talvez por ocorrer. Tudo isto em São Paulo! A capital do maior estado brasileiro, com o maior efetivo policial, com a maior riqueza e recursos tecnológicos ... em São Paulo. Não bastasse isto , várias rebeliões por todo o estado, centenas de pessoas submetidas à condição de reféns, nas mãos de detentos, que riem e se divertem a custas de todo o desamparo a que foi submetida à sociedade paulista neste dia, mas que é resultado do descaso político de décadas. Enquanto isto, o governo – nestes dias liderado pelo Sr. Claudio Lembo, mas poderia ser qualquer outro – demonstra a sua incompetência e descaso. Numa cena patética, característica dos paspalhos, falsos e mentirosos, o governador tem a coragem de cantar bravatas, pisotear o apoio federal e bater no peito – este sim protegido pelos melhores militares – como que desafiando os outros bandidos. Todos facínoras!!! O que pensavam estes homens? Nos pontos perdidos na campanha a eleição? Na imprensa que repudiaria seus discursos? Na possibilidade de terem suas passagens políticas manchadas pelo bom senso que pareceria covardia? Facínoras! Tanto quanto os bandidos que comandam e operam a rede de crimes hoje vista. Se perdessem mais tempo com as preocupações lícitas de um governante decente, não necessitariam aparecer na TV com caras de destruídos e cansados, como que merecedores de apreço e pena. Só falta agora entrarem todos em greve de fome... E os RADICAIS defensores dos Direitos Humanos??? Falo dos radicais e não dos moderados e conscientes. Estes que burra ou maliciosamente criam subterfúgios e desvios legais em nome de um direito humano mal interpretado, mal utilizado e manipulado. Por que não aparecem agora e colocam-se à disposição da combalida polícia para apoiarem negociações, ações de justiça e até de força – que já se mostram necessárias? Que fique bem claro que não sou contra os militantes dos Direitos Humanos, mas contra os idiotas radicais e que só gostam de barulho e fama e que com isto desmerecem a causa e o valor do respeito ao coletivo e comunitário. Há ainda a polícia. Ai meu Deus!!! Vêm a público como que querendo passar por vítima ou heróis da cena. Quem permite que estes bandidos estejam equipados desta forma? Quem é que se vende com a desculpa de que seus soldos são insuficientes? Quem é que faz vistas grossas a todas as pequenas irregularidades cotidianas? Quem é que se acovarda frente aos perigosos, mas se agiganta diante dos desamparados? Claro que nada disto justifica os assassinatos, lógico. Mas deveriam ter vergonha de estarem agora pedindo arrego, demonstrando medo humano e pedindo compreensão. O erro deles não está no dia de hoje, mas sim nos seus dias de paz, quando corrompem e são corrompidos; coabitam com o crime; fazem-se de desapercebido e buscam a vantagem própria em função de uma farda ou carteira. Mas ainda resta a sociedade, pobre sociedade! Pobre não porque está sob a ameaça extrema do 15/05/2006, mas porque não percebe que perdeu a noção do todo, do coeso e do coletivo. Pobre porque tem pregado todos os dias os valores da vantagem individual, da imposição da vontade de uns, dos direitos infinitos e da falta de gentileza e camaradagem. Sou professor e o que eu mais tenho ouvido nos últimos anos é “eu quero”, “eu posso”, “danem-se as regras”, “dane-se a turma”, ... que pena! Não bastasse o posicionamento dos alunos as escolas vêm cada vez mais insistindo na formação para a competição ... que pena! Será que esta sociedade achou de fato que sobreviveria neste ambiente de individualismo, competição exagerada, divisão desonesta dos acessos e recursos e diferenciação pelos saldos e ganhos? Será que acreditou que suas opiniões desequilibradas, suas posições políticas baseadas em interesses pessoais, seu sentimento de poder e domínio trariam boa coisa para o futuro? Tenho o sentimento que não! Acho que a sociedade “pagou pra ver” contando que os planos de saúde, o acesso ao ensino desigual e a segurança privada resolveria o problema de poucos e importantes e que o “resto” se viraria com o que lhes restasse e assim tem sido. O “resto” não consegue se virar e por isso se vinga. Vinga-se não por suas ações ilícitas e violentas – porque estas não são as armas que todos optam por usar -, mas por sua incapacidade de educar seus filhos, criar bons ambientes e desenvolver cidadania, vinga-se assim, quase sem saber que o faz. De certo surgirão, desta mesma sociedade, os brados de defesa a “pena de morte”, “prisão perpétua” ou uso “incondicional de força”. Balela e burrice de uma sociedade que se esquiva de pensar nos seus problemas e agir de modo colaborativo. Esquiva-se de pensar seu futuro de modo longo e responsável. Esquiva-se de votar bem, escolher direito, exigir o justo e alijar os não merecedores de confiança. Não quero de jeito nenhum proteger os patrocinadores desta cena lamentável, a quem já tratei por facínoras, mas pensar em matar presos sem questionar a possibilitar matar os representantes sanguessugas do povo já é por si só demonstração da imbecilidade embutida nesta idéia. SOU CONTRA MATAR QUALQUER UM DELES. Devemos começar a pensar em como temos tratado os ilícitos que temos presenciado. Que ética é esta que proíbe a delação dos injustos e desonestos? Que repudia o roubo mas vangloria o suborno de trânsito? Que brada contra os políticos corruptos, mas vota neles? Ou a sociedade muda conscientemente suas práticas e renova seu arcabouço ético e moral ou estaremos sempre a mercê dos maus, porque seremos a maioria. -- MauricioPimentel - 18 May 2006 Editar | Anexar | Impressão | Texto Puro | Referências: Web, Global | Histórico: r1 | Mais ações de tópico
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